sábado, 11 de fevereiro de 2017

~Verdades~ goela abaixo


É impressionante a capacidade d’o Brasil criar ‘verdades’ ‘unânimes’. Em especial, as que atendem a pauta esquerdista.
Por muito tempo, o simples fato de não dizer ‘amém’ para o pensamento vermelho foi visto como deformação de caráter: ‘Nossa, como assim você não quer justiça social e paz mundial?????’.

Um assunto que veio à tona mais forte recentemente (talvez pelas loucuras do Trump, talvez pelos acertos do Brexit) é o multiculturalismo. Virou crime fazer cara feia para a miscigenação irrestrita dos povos e costumes. O ‘multiculturalismo é bom’ virou uma daquelas ‘verdades unânimes’. Sei...

Acho que a ideia antagônica ao multiculturalismo é ‘patriotismo’, soberania, respeito à cultura local, às tradições. Mas outro dia, perguntei pra uma amiga e ela respondeu ‘xenofobia e racismo’!!! Não é fácil acompanhar essa lógica.

Meu ponto é que, pro brasileiro, multiculturalismo significa ir à Vila Madalena e poder escolher entre o restaurante árabe, tailandês ou a velha e boa pizza. Não tem um vizinho com 12 esposas legítimas, não tem um imigrante ilegal empregado enquanto você está desempregado, não tem um cara na rua que explode porque a religião assim o manda. (O assassino brasileiro é gente como a gente. hehe)

O multiculturalismo assume que TODA miscigenação é boa. E isso é obviamente uma falácia. Sorvete é bom. Catchup é bom. Sorvete com catchup não é bom. ‘Ainnn, o brasileiro é um povo por definição miscigenado.’ É verdade. E o 'anti-multiculturalista' NÃO diz que NENHUMA miscigenação é boa. Mas provavelmente precisam ter alguns elementos em comum, algum nível de associação, alguma possibilidade de adaptação. Sorvete é bom. Caramelo é bom. Sorvete com caramelo é bom. Um homossexual nunca vai ser bem quisto numa cultura islâmica. Por definição.
E, claro, algum nível de respeito; um é o solvente, outro é o soluto. Uma mulher chegando na Arábia vai usar véu. Não é a árabe que vai passar a usar mini-saia em casa.

Ainda na linha das comparações bestas mas úteis, a fé cega no multiculturalismo é pensar em fazer um festival musical com hard rock e sertanejo no mesmo lugar. Não vai ser legal nem pra uns, nem pra outros. E essa constatação, por si só, não quer dizer que um seja melhor que outro. (Mas é importante notar que, sim, pra uns, um será melhor que o outro; e pra outros, o outro será melhor que o um.)
Um mundo todo adepto ao multiculturalismo seria um mundo todo igual, todo bege, todo chocho. Você não precisaria viajar pra Tóquio, Moscou, Tofo ou Jerusalém. Seria tudo a mesma coisa que a tua rua.

O interessante é que muitos adeptos do multiculturalismo não aplicam a teoria à sua própria vida (como, aliás, é típico dos esquerdistas). Um amigo ‘escandalizado’ com a ‘onda nacionalista ao redor do mundo’ é um agente ativo na sua associação de bairro. Há alguns anos, numa bela praça em declive bastante frequentada por crianças e cachorros, colocaram paralelepípedos no lugar das lombadas. Pelo jeito, eles não estavam muito a fim de miscigenar as crianças com os muitos skatistas que começaram a frequentar o local para aproveitar a inclinação da rua. Recentemente também fizeram uma grande reforma, com especial ênfase na iluminação. Também não acharam legal miscigenar a molecada com os nóinhas do escuro. Na teoria, a prática é outra.

Encerro com Dalrymple: o multiculturalismo é apenas mais uma faceta da estratégia esquerdista de fortalecer elos externos com o intuito de enfraquecer os elos internos da sociedade. Tem a mesma semente do trabalhismo e do ambientalismo, por exemplo.

É amar o sírio e tratar mal o próprio pai.

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