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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Trechos selecionados de 'O Reacionário'

Trechos selecionados de 'O Reacionário', de Nelson Rodrigues.

Sempre digo que o pior da bofetada é o som. Se fosse possível uma bofetada muda, não haveria ofensa, nem humilhação, nada.

Um gênio não move uma palha, não ameaça, nem influi. Ninguém morre por um gênio, ninguém mata por um gênio. (...) Um gênio não convence ninguém, o idiota sim. Ponham um pateta na esquina e deem um caixote ao pateta. Ele trepa no caixote e fala. Imediatamente, outros idiotas vão brotar do asfalto, dos ralos, dos botecos. (...) o idiota é uma “força da natureza”.
Claro que nem sempre foi assim. Durante 40 mil anos, o pateta sabia-se pateta e como tal se comportava. Os melhores pensavam por ele, sentiam por ele, pensavam por ele. Mas em nosso tempo, e só em nosso tempo, os idiotas descobrem que são em maior número. – A Revolução do Idiota.

O diabo é que temos a vocação e a nostalgia do caos.

A pior forma de solidão é a companhia de um paulista. (...) “Mas não era isso que eu queria dizer.” Aqui, trabalha-se.

O brasileiro é vítima dos mais lamentáveis delírios numéricos. Lembro-me de um orador patrício que assim começou: - “Não vou fazer um discurso”. Pausa. Em novo arroubo, insiste: (...) “Vou dizer apenas duas palavras”. Pânico entre os presentes. Pois sabemos que, em nosso idioma, duas palavras são duzentas. E o homem não parou mais. Segundo consta, está falando até hoje.
Realmente não temos o menor respeito pelos números.

‘Diz Nelson Rodrigues que, no Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio!’. Não pode ser presidente quem tem medo de vaia – ou pior – não pode ser presidente quem tem medo do povo.

Aprendi uma verdade que está cravada na minha carne e na minha alma, para sempre: - “Não se mata”. Mesmo o culpado, não se mata. Um homem não mata outro homem.

Não estou odiando ninguém. (...) isso é odiar? São os fatos, os fatos, os fatos. (...) nós conhecemos aquilo que, em psicologia, se chama projeção. A pessoa projeta nos outros sentimentos seus.

Hoje, o ato de opinar compromete ao infinito.

O que a [feminista] quer é, justamente, liquidar a mulher como tal. Se vocês espremerem tudo o que ela diz, ou escreve, descobrirão que a nossa ilustre visita pensa assim, mais ou menos assim: - “A mulher é um macho mal-acabado, que precisa voltar à sua condição de macho.” (...) Há pouco tempo, ninguém teria a coragem de, alçando a fronte, declarar: - “A feminilidade não existe.” Diz mais: – que a mulher para viver dignamente precisa estar acima de “definições sexuais” como “mãe” e “esposa”. Para a pobre senhora a maternidade é um fato apenas físico, como se a mulher fosse uma gata vadia de telhado.

Não sei se repararam (e a gente não repara nas evidências mais ululantes). Mas ninguém ouve ninguém.  (...) O que nós chamamos diálogo é, na maioria dos casos, um monólogo, cuja resposta é outro monólogo.
Por isso, a nossa vida é a busca desesperada de um ouvinte.

Escrevi aqui mesmo, não sei quantas vezes: - não se adia um olhar, um sorriso, uma frase. Há sempre uma palavra que não devemos calar. Somos perecíveis, mas esquecemos que somos perecíveis.
A saudade antes do adeus.

Tenho medo das pessoas que vivem de certezas.

O homem deixou de ser um homem, é um “fato político”.

Sempre digo que a coragem é um momento, que a covardia é um momento.

E porque não entendemos nada de futebol, Deus nos fez o favor de confirmar todas as nossas intuições, palpites, vaticínios.

Assim é o brasileiro: - um sujeito atormentado por culpas imaginárias.

Geração de boteco ideológico.

Cada um de nós está sempre a um milímetro da depressão, a um milímetro da euforia. Aderna para um lado ou para outro, segundo estímulos eventuais.

Temos o vício da manchete.

A mulher que odeia não um homem determinado, mas todos os homens, já deixa de ser mulher.
Nada frustra mais a mulher do que a liberdade que ela não pediu, que não quer e que não a realiza.

Ou a jovem revolução está na depredação gratuita, na depredação idiota de algumas das maiores universidades do mundo? (...) Mas pergunto: - que fez essa juventude? Eu já me daria por satisfeito se, um dia, tivesse inventado um comprimido, um Melhoral. (...) a juventude não fez nada e repito: - exatamente nada. Quando nasceu, as gerações passadas deram-lhe, de mãos beijadas, na bandeja, a maior nação do mundo (...). E, então, por não ter feito nada, põe-se a contestar, a injuriar tudo o que já estava feito.
Admite que a agitação estudantil não teve grandes consequências visíveis. Aqui acrescento: - nem invisíveis. Ou por outra: - houve, sim, as consequências visíveis. Refiro-me aos automóveis virados, aos paralelepípedos arrancados e à Bolsa incendiada. Fora disso, a jovem revolução não deixou nem mesmo uma frase, uma única e escassa frase. (...) A razão deixa de ser o que sempre foi, isto é, uma lenta, progressiva, dilacerada conquista espiritual. [21/11/1973]

Apanhem o sujeito mais inteligente e o ponham na plateia. Imediatamente, ele passará a reagir como as duzentas senhoras gordas que assistem à peça, comendo pipocas. O sujeito que se mete no meio de trezentos idiotas será um deles. Aí está o milagre da multidão, ainda que seja pequena. Há um fulminante nivelamento intelectual por baixo.

A elegância é invisível. (...) Se descobriram que sou elegante, já não sou mais nada. Sua elegância deixara de existir a partir do momento em que perdera a invisibilidade.

Baseado em toda a minha experiência jornalística, sustento que nada mais falso, nada mais apócrifo, nada mais cínico do que a entrevista verdadeira. Por outras palavras, a entrevista verdadeira é uma sucessão de poses e de máscaras. Ao passo que a “entrevista imaginária”, pelo fato de ser imaginária e irresponsável, não mente jamais. E o leitor fica sabendo de tudo o que o entrevistado pensa, sente e não diz nem a muque.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Top 10 - Confrontos

Continuando a série de listas da (nossa) década, chegou a hora dos confrontos (a do Ronalt já está lá). A de filmes, já discuti aqui. O Ronalt e o PJ também fizeram suas listas de músicas, respectivamente, aqui e aqui. Agora, confrontos.
Sim, eu sei. O conceito é polêmico, ambíguo. Tudo bem! Cada um pode ter o seu critério: importância histórica, imprevisibilidade do resultado, tensão,... Não sei se eu consigo enunciar o meu critério; provavelmente seria só a racionalização dos 10 confrontos que vieram à minha mente... Priorizei futebol e tênis, por motivos óbvios. Coloquei um de volei e um de futebol americano. Lá vão:

1. SÃO PAULO 1 X 0 LIVERPOOL, 18/12/2005: São Paulo tri mundial, na melhor partida de um goleiro da história (depois daquela falta do Gerard, nenhuma outra bola pode ser considerada 'indefensável'), impedimentos milimetricamente bem marcados e Chuck 'Mineiro' Norris...

2. BRASIL 2 X 0 ALEMANHA, 30/06/2002: Brasil penta mundial, com o Gordo metendo 2 golaços, na recuperação física mais incrível que já pudemos presenciar. A narração do Silvério no segundo gol arrepia até hoje.

3. NADAL 3 X 2 FEDERER, WIMBLEDON, 07/07/2008: Num dia difícil da minha vida, o melhor jogador de tênis da história perdeu na grama para o espanhol pela primeira vez, em um jogo que durou o dia inteiro...

4. FEDERER 3 X 1 RODDICK, WIMBLEDON, 06/07/2009: O melhor do mundo ratifica seu domínio, conquistando o 15º Grand Slam.

5. BRASIL 2 X 3 RÚSSIA, 26/08/2004: a seleção feminina do Brasil ganhava o 4º quarto por 24 a 19 e permitiu a virada, sendo tachada de 'amarelona' até os Jogos Olímpicos seguintes.

6. FRANÇA 1 X 0 BRASIL, 01/07/2006: na casa dos Pascales, confirmávamos a patética atuação do Brasil e seus baladeiros. O Roberto Carlos será para sempre lembrado por aquela 'arrumada de meia'.

7. GRÊMIO 1 X 1 CORINTHIANS, 02/12/2007: a 2ª comemoração de título do ano. A queda do time da Marginal me causou tanta felicidade quanto o título do meu São Paulo, algumas rodadas antes.

8. VITÓRIA 4 X 3 PALMEIRAS, 17/11/2002: Ah, Palmeiras... O ex-time grande de São Paulo também conheceu a Segundona...

9. NÁUTICO 0 X 1 GRÊMIO, 26/11/2005: na Batalha dos Aflitos, o Grêmio, com vários a menos, se safou de um penalti e ainda fez um gol no contra-ataque, conseguindo a volta à primeira divisão.

10. NEW ENGLAND PATRIOTS 14 X 17 NEW YORK GIANTS, 02/03/2008: Foi o jogo que me levou a admirar futebol americano também. O Patriots, favorito, poderia ser campeão invicto; ainda mais com um touchdown a poucos minutos do final. Mas numa campanha rápida e uma recepção com auxílio do próprio capacete, o Giants conseguiu a virada no último lance.

Foi triste deixar de fora: Liverpool 3 x 3 Milan, Brasil 3 x 2 Sérvia (no tie break mais demorado da história), Fluminense 3 x 1 São Paulo,...
Sem contar Poli 5 x 3 Porcada (2000), Poli 1 x 0 Porcada (2001), Poli 3 x 2 FEA (2005), Poli 9 x 3 Mackenzie (2000), USP 0 x 0 Ulbra (2001), Poli 3 x 2 EEFEUSP (2000)... Mas aí, é só pro meu mundinho...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

E agora, José? Acabou...

Por definição, não rezo por futebol.
Também não costumo falar sobre futebol na minha terapia. Talvez devesse. Provavelmente meu humor no trabalho ou na vida pessoal esteja muito ligado aos resultados do futebol no final de semana... Que nada de autoconhecimento! É bola na rede e felicidade, bom humor e paz garantidos para próxima semana!! Como essa!

Enfim, acabou o Brasileirão.
Sou do time do PVC, dos que consideram o nosso Brasileirão um belo campeonato. Não gosto daquele saudosismo dos mais velhos. E acho que a comparação com a Europa é distorcida: talvez eles se saíssem melhor num quadrangular com os 2 melhores do brasileiro e os 2 melhores espanhois ou ingleses ou italianos. Mas o 3º, o 4º, o 5º,..., daqui são melhores que os deles... Mas isso é achismo - nunca teremos uma prova - ou, como diz o Balu, é só linguiça para ser enchida nos programas vespertinos de futebol.
A verdade é que gostei muito desse campeonato. Cheguei a considerar a hipótese do meu São Paulo brigar para não cair (tinha esquecido de que time grande não cai!); fiquei triste de verdade com a real possibilidade do Palmeiras campeão e a tolerância que deveria ter com meus amigos mais chatos; criei 15 piadas para o hepta do São Paulo (que terei que guardar para o ano que vem); e acabei não gostando de ter que aguentar meus parentes flamenguistas (eles realmente acreditam que Leo Moura e Bruno são jogadores de verdade... tsc tsc tsc)...
Não desmereço o Flamengo por ter sido o campeão com menor aproveitamento (59%, percentual normalmente considerado para briga por Libertadores), nem São Paulo, Inter, Atlético,... por perderem as chances de ser campeão. A verdade é que estava tudo mais nivelado.
Já tinha falado em outro post que achava improvável que o São Paulo fosse campeão esse ano. Não vou criar um blog só para apontar os erros de juízes (como tem de um palmeirense), como se houvesse uma conspiração universal. Em resumo, o que tinha dito é que a 'popularidade' do Brasileirão não ia muito bem das pernas fora de São Paulo, já que os 5 últimos títulos tinham ficado por aqui. Ou seja, era 'interessante' que São Paulo e Palmeiras não levassem. Flamengo campeão seria o melhor dos mundos. Livrar os 2 outros cariocas do rebaixamento, então, nem se fala... Não sou um gênio. PVC e Juca Kfouri também falaram a mesma coisa. E escrevi isso antes do procurador punir o Vagner Love por não ter 'tranças rubro-negras', antes da anulação ridícula do gol do Obina, antes de darem 2 jogos para um 2º amarelo do Jean, antes de darem 3 jogos para uma falta do Dagoberto pesada, mas idêntica a outras tantas que não deram mais de 2 jogos, de inventarem 'efeito suspensivo parcial' contra o São Paulo, de punirem o Dagoberto por dar risada, de tirarem o jogo do Flamengo contra o Corinthians do mando do Corinthians... Erro de juiz é uma coisa; de tribunal é outra...
É lógico também que, em um lugar mais decente, Corinthians e Grêmio seriam punidos. Dois dos principais jogadores do Corinthians 'se machucam' antes dos 20' do 1º tempo. O médico foi atender o Ronaldo e nem sabia onde espirrar o spray, já que ele não tinha colocado a mão em nada. O Felipe saiu da bola na hora do penalti. O Grêmio foi com 3 titulares, teve seu nome gritado no Maracanã e instruções claras de não chutar no gol. Não aceito o argumento de que o SP não fez a parte dele e, então, não pode reclamar: tivemos que jogar 38 jogos; o Flamengo teve que jogar 36 e ganhou 6 pontos de graça. É totalmente diferente. Num grupo de discussão com amigos, pensamos em soluções: direcionar clássicos locais para as últimas rodadas, parte das cotas de TV baseando-se na classificação do ano anterior (de tal modo que faça diferença ficar em 9º ou em 10º),..., mas não chegamos à nenhuma conclusão...
Mas os jogadores do Flamengo não têm culpa e merecem comemorar. O Flamengo foi um Cisne Negro, aquele evento altamente improvável que acontece de vez em quando. Sem estrutura, com troca de treinador, troca de presidente, com estrela que não treina e outra que veio para saldar dívida, salário atrasado... e campeões! Parabéns! Só não vamos achar que a várzea ganhará todo ano. Esse ano é exceção, não a regra.
Outra coisa que me chamou a atenção é a intenção da imprensa (e, para não ser tão genérico, senti isso mais na Sportv mesmo!) de colocar o 'hexa' na frente de toda vez que se fala 'campeão', forçando goela abaixo! Eu era muito criança em 1987 e, portanto, considero-me um tanto inapto a entrar na discussão com propriedade. Mas quero dar meus pitacos... Sendo pragmático, 1987 é do Sport de direito. Basta entrar no site da CBF. Lógico que houve um outro campeonato, provavelmente muito mais forte, em que o Flamengo se sagrou campeão, o que talvez o dê um título nacional de fato. Mas diferentemente de 2000, quando a mesma CBF fez um mesmo campeonato, só mudando o nome (Copa João Havelange) por razões bem específicas, 1987 teve, sim, um campeonato da própria CBF. Ou seja, talvez o título do Flamengo de 1987 possa ser comparado ao atual status da Copa do Brasil, isto é, de abrangência nacional, mas não 'o campeonato brasileiro'. Não vou me alongar. Essa é só minha verdade, dentre várias verdades possíveis... ;) O que me incomoda não é o eventual 6º título do Flamengo mas, sim, essa lavagem cerebral na tentativa de tirar a exclusividade do hexa são-paulino. Só quero lembrar que ainda precisam igualar 3 Libertadores e 3 Mundiais. haha. Essa foi só para provocar... ("Eu tento ser humilde. Meu time é que não deixa!").
Vou parar a choradeira por aqui. hehe. Até porque terminei o ano feliz. O espetáculo no Morumbi ontem foi SENSACIONAL. A torcida entendeu que não é possível ganhar todo ano. Quanto mais vezes consecutivas você ganha, mais próximo da derrota seguinte. Foi um pequeno sacrifício para termos mais anos de pontos corridos garantidos. E, pelo 7º ano consecutivo, estamos na Libertadores... Meu amigo Bola tem uma tese de que não ganhar o Brasileiro nos dará humildade para ganhar a Libertadores. Tomara.
E, se em 2006 a disputa foi com o Inter, em 2007 com o Santos, em 2008 com o Grêmio e em 2009 com o Flamengo, só existe uma certeza para o ano que vem: é o São Paulo e mais alguém disputando o título... Ah, e o Palmeiras... Vou respeitar o luto por enquanto...