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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O que li em 2014


O livro é a compilação de um tradicional curso da Casa do Saber. Em linguagem ultracoloquial, os autores refletem sobre 8 temas: ética, moral, identidade, liberdade, poder, dominação, justiça e virtude.
O conceito exposto de que mais gostei é o de 'moral' como necessidade prática para se viver em sociedade a partir do momento em que não amamos todo mundo. (Se amássemos todos, a moral não seria necessária).

O grande amigo de Montaigne, Étienne de La Boétie escreve um curto manifesto refletindo sobre como tiranos mantém sua tirania (mesmo os escolhidos pelo povo; talvez até piores) e como as pessoas se sujeitam a essa tirania: boas doses de conivência, covardia e cumplicidade são necessárias para manter a própria servidão...
Escrito há quase 500 anos e muito atual.


Mário Ferreira dos Santos analisa a sociedade "atual" (aspas porque foi escrito em 1967) sob influência dos "bárbaros" (como contraposição a civilizados, intelectualizados). Mais: não mais uma invasão "horizontal" (=conquista territorial), mas uma invasão "vertical", interna, dentro da própria cultura. Alguns tópicos bem interessantes como moral, crimes, Cristianismo, ciência e religião, 'alta cultura', racismo... O filósofo usa termos e defende posições que provavelmente causariam mimimi se fossem escritos hoje em dia. Mas gostei bastante do texto. Sua capacidade preditiva é impressionante.

Conflito de Visões ✰✰✰✰✰
Segundo Thomas Sowell, as disputas ideológicas não são baseadas em diferenças de interesse, de conhecimento ou de moral; o cerne é a diferença de 'visão', definida como uma 'concepção pré-analítica'.
Ele classifica as visões em: - IRRESTRITA, que entende que o POTENCIAL humano é ilimitado ou que ainda não foi alcançado (e, portanto, devemos buscá-lo) e; - RESTRITA, que entende que a CONDIÇÃO humana é limitada, falha (e, portanto, devemos lidar com isso).
Os adeptos da visão irrestrita buscam SOLUÇÕES; os da visão restrita buscam COMPENSAÇÕES/TRADE-OFFs.
A partir dessa diferenciação (obviamente um continuum, não binária), há toda uma coerência no posicionamento de ambas as visões quando discutem igualdade, liberdade, justiça, poder...
Com certeza, um livro que será dos mais influentes na minha vida.

Subliminar ✰✰✰
Leonard Mlodinow, autor de O Andar do Bêbado, escreve mais um bom livro, dessa fez sobre a influência do inconsciente em nossas vidas. Com uma pequena pincelada em neurociência (especialmente em relação ao mapeamento da atividade cerebral), ele aponta alguns estudos sobre memória, visão, audição, categorização, racionalização,... Gostei especialmente do capítulo sobre in-groups e out-groups: as diferenciações inconscientes que fazemos entre as pessoas que são do nosso grupo e as que não são, QUALQUER que seja a definição desse grupo (e disso podemos tirar algumas ideias para questões de preconceito).
É um bem bolado de Dan Ariely, Malcolm Gladwell e da turma do Gorila Invisível.
"A evolução NÃO projetou o cérebro humano para entender a si mesmo com precisão, mas para [simplesmente] nos ajudar a sobreviver".

Nate Silver, o estatístico que ficou (mais) famoso por gabaritar o vencedor das eleições americanas em cada um dos 50 estados, fez um abrangente e agradabilíssimo apanhado sobre os vários mundos da previsão, cada qual com suas particularidades, seus desafios, seus acertos, seus erros, seus pop-stars.
Os capítulos passam por eleições, beisebol, basquete, meteorologia, xadrez, poker, macroeconomia, mercado econômico, epidemias, terremotos, aquecimento global, terrorismo.
Apesar de ser uma leitura fácil, não técnica, Nate Silver expõe alguns conceitos teóricos interessantes.
Ou seja, um livro excelente pra uma época em que querem prever a temperatura da Terra daqui a 100 anos ou em que a variação de 0,1 p.p. na previsão do PIB pro ano que vem dá manchete de jornal.

Ideias tem Consequências ✰✰✰✰✰
Muitos consideram esse livro como um ~must-read~ para direitistas. De fato, Richard Weaver defende muitos pilares do conservadorismo, mas achei um ou outro ponto divergente, como quando ele flerta com uma economia mais planejada ou quando dá umas pequenas porradas no “capitalismo financeiro”.
Achei a leitura difícil, mas gostei bastante. É um excelente mix de “Invasão vertical dos bárbaros”, “Rebelião das massas”, “Conflito de visões”, “As vantagens do pessimismo”.
O autor critica o materialismo e a imediatez vigentes, não no mesmo barco do ambientalismo ou da crítica ao consumismo, mas pela falta de algo transcendental, metafísico.
CRITICA a paixão pela razão, a fragmentação do conhecimento, a substituição da noção de fraternidade pela de igualdade, o fato da organização social deixar de se pautar pelas vocações e passar a ser pela capacidade de consumo (com o trabalho virando mero emprego sem significado ou valor); critica a ideia de conforto como fim último da vida, a psicologia da criança mimada (que acha que tem direito a tudo por “reclamações e exigências” sem ter aprendido a relação entre esforço e recompensa), que a política tenha sido transformada em uma mera serva da economia; enfim, critica “a teoria progressista da história, que ensina que o ponto mais avançado no tempo representa o ponto de maior desenvolvimento".
O autor DEFENDE a distinção e hierarquia (selecionei trechos desse espetacular capítulo aqui), a propriedade privada (ligada à escolha e à vontade, ou seja, intrinsecamente à liberdade) como o “último direito metafísico” (pois não depende de demonstração da utilidade social), a tolerância e a piedade (à natureza, aos outros e ao passado), a prudência e a responsabilidade.
Sensacional.

O livro é um “testemunho da credulidade, estupidez e crueldade humana”; ilustra uma série de besteiras que fizemos e acreditamos ao longo da história. (Consequentemente, claro, faz pensar nas idiotices que vamos deixar pros nossos filhos contarem).
O autor conta histórias de bodes expiatórios na religião (em especial, no Judaísmo e no Cristianismo, em que bate bastante), no esporte (técnicos, juízes), relacionados a gênero/sexo (como na ‘misoginia’ – segundo o autor – da caça às bruxas), na mitologia, com animais e objetos (as histórias de Cortes gastando tempo e dinheiro para ‘condenar’ porcos, pássaros, insetos, sinos e espadas são cômicas se não fossem trágicas), políticos (comunistas como ato final de lealdade, inimigos externos), financeiras (bolhas, lei do ‘tolo maior’), médicas (os próprios doentes, eventualmente a 1ª vítima).
Termina falando do caso emblemático de Alfred Dreyfus, das ideias por trás das teorias da conspiração e da psicologia do bode expiatório, especialmente com Jung (“arquétipo da sombra”). Achei interessante a analogia do bode expiatório com um herói (se ferram individualmente pelo bem do todo).
Alguns capítulos são muito longos, outros muito curtos, o autor sempre volta na questão do Cristianismo, mas é um livro interessante.

Michael Lewis, o autor de renomados livros como Moneyball e Big Short, publica uma espécie de diário sobre sua experiência como pai de 3 filhos, motivado pelo "persistente e incômodo gap entre o que ele DEVERIA SENTIR e o que ele REALMENTE SENTIA" como pai.
Com causos realmente engraçados, ele escancara a função secundária do pai e ironiza os experts em paternidade. Se você não estiver encanado, perturbado ou confuso com a paternidade, você provavelmente estará fazendo algo errado com seus filhos. Na verdade, você provavelmente estará fazendo algo errado de todo modo, mas tudo bem.
(Selecionei alguns trechos aqui)

As ideias conservadoras  ✰✰✰✰
Embora curto, não considerei o livro tão raso como algumas resenhas apontam (talvez seja apenas minha ignorância) principalmente porque João Pereira Coutinho versa sobre alguns "tendões de Aquiles" do conservadorismo e algumas diferenças entre os próprios conservadores. Ou seja, não se trata de um simples contraponto ao pensamento esquerdista ou às ideologias extremistas.
Entre esses "tendões", o autor fala sobre o eventual imobilismo (achei excelente o capítulo sobre "reformas prudentes") e o eventual conflito com "sociedade comercial" (não sabia que daria pra montar um longo manual anti-capitalista apenas com autores, em tese, conservadores).
Com relação às possíveis discordâncias entre os conservadores, a única que me saltou aos olhos (isto é, que inicialmente me faria discordar de Coutinho) é quanto à "maleabilidade na hierarquização de valores de acordo com as circunstâncias", que ele defende. No entanto, é engraçado que, ao ler outros conservadores, a ideia faz muito sentido e fica bem clara.
O livro é muito bom.
"Todos somos conservadores. Pelo menos, em relação ao que estimamos. (...) Conservar e desfrutar são dois verbos caros aos homens que ainda estimam alguma coisa."

É sempre uma experiência interessante ler alguém que sabidamente pensa diferente de mim. O historiador comunista Eric Hobsbawm evidencia seu saudosismo pela União Soviética e sua inhaca pelos Estados Unidos, principalmente nas partes em que fala sobre ‘impérios’. Gostei bastante dos textos sobre terrorismo – em que ele crítica o medo irracional, talvez mais prejudicial que o próprio terror – e sobre democracia – em que ele questiona a ‘unanimidade não questionada’ sobre o tema. Mostra as fragilidades e exemplos que deram errado em ambientes democráticos e outros que deram certo sem ele. (O problema, claro, é que ele dá um passinho além e fica no limite de defender "algo pior" que a democracia...)

O Reacionário ✰✰✰✰
Nelson Rodrigues é um monstro. Crônicas deliciosas, que fazem falta nos jornais de hoje.
Selecionei uns trechos aqui.








Complacência ✰✰✰✰
Fabio Giambiagi e Alexandre Schwartsman analisam as decisões do governo brasileiro na última década, levando à triste situação atual.
Com uma escrita bastante leve, passa por diversos temas como funcionalismo público, educação, previdência, balança comercial, política industrial (de “escolha dos vencedores”), sempre com uma espécie de “curso de introdução à economia” como pano de fundo. Bem interessante.

Política da Prudência ✰✰✰✰✰
Russel Kirk escreve sua bíblia sobre o pensamento conservador americano. Expõe seus 10 livros, seus 10 acontecimentos e seus 10 pensadores preferidos, explica a maioria deles, critica a ideologia progressista e os libertários. Defende a ordem, a justiça e a liberdade.
Livro necessário para todo conservador e outro que, sem dúvida, terá influência marcante em toda minha vida.

Conversa no Catedral ✰✰✰✰✰
Mario Vargas Llosa trata esse livro como sua melhor obra. E, de fato, é espetacular. Tanto o enredo (as histórias se passam na sociedade peruana na época da ditadura) como o estilo.
Muita coisa parecida com a sociedade brasileira e com os tempos modernos.
O Peru também não corre o risco de dar certo.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Xinguem os números. Ou: cuidado, vó!


No debate pra eleição de governador em São Paulo em 2010, um dos candidatos (acho que o ex-neo-queridinho Russomano) perguntou pro candidato Alckmin sobre as propostas para combater a violência em São Paulo e terminou com algo como 'Mas não me venha com estatísticas, não...'.

Dei risada.
Talvez seja verdade que, em alguns casos, 'estatística seja a arte de fazer os números confessarem'.
Madre Teresa dizia que, se ela fosse olhar as desgraças de todo o mundo, não ajudaria o próximo, ao lado. E, se não ajudasse a pessoa ao lado, o mundo não melhoraria. Isso é válido para igrejas, psicólogos, assistentes sociais. Minha esposa trabalha na Brasilândia, um dos locais mais afetados nesses meses. O bicho pegou e eu ficava tenso. Mas era uma questão muito mais qualitativa do que quantitativa.

Com relação ao Estado, não há outro modo para tomar decisões e medir os resultados, se não pelas estatísticas.

A grande diferença da crise pela qual São Paulo passou é que foi justamente isso: uma crise. Aguda, não crônica. Pontual, não sistemática.
Não deve ser minimizada. A polícia tem que entender os motivos que levaram o PCC a se rebelar novamente. E evitar. Mas a imprensa não tem que ficar na base do achômetro. A entrevista que o Canal Livre da Band fez com um coronel da PM foi muito interessante. O link aqui. Os jornalistas faziam comentários de botequim e o coronel respondia com dados.

Mas vamos aos números.
A OMS estabeleceu uma métrica para definir o que pode ser considerada uma cidade 'violenta': menos de 10 mortes por 100 mil habitantes por ano, a cidade está ok; mais do que 10 por 100 mil habitantes, a cidade passa a ser 'endemicamente' violenta. Para essa métrica, eles consideram os 'crimes violentos letais intencionais (CVLI)': homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.

São Paulo teve 10,8 dessas mortes por 100 mil habitantes em 2011. Em 2012, deve subir para algo em torno de 11,5. E, com esse número é, simplesmente, o Estado mais seguro do Brasil.

Muita coisa do que pensei em escrever já estão aqui e aqui.
Um dado interessante é que, mesmo extrapolando esse pior cenário por todo ano, São Paulo ainda é o Estado mais seguro. É dado, não opinião.
Não adianta discutirem comigo ou com a Veja ou com quem quer que seja.
'Ah, mas eu conheço um vizinho do meu tio que foi assassinado'. Sim, são 11 assassinatos por 100 mil habitantes por ano. Não zero. Infelizmente.

Xinguem os números.
Aliás, publico a tabela abaixo, mas consultem vocês mesmos aqui. Página 28, tabela 10. Antes de questionar os dados, lembro que se tratam de publicações do próprio Ministério da Justiça.



'Ah, mas quem diz que os dados são confiáveis? Quem garante que nem toda morte na praia é considerada afogamento, como em Tropa de Elite?' 'Tu é legista, mermão??'.

Bom, compartilho a opinião - e, no fundo, é só isso mesmo, uma opinião, um chute - de que furtos não são mesmo denunciados pela população através de boletim de ocorrência. Mas morte? Sumiço de corpo? Hum... Sei não. E, SE houver, mais provável que seja em Estados menores, mais distantes, com menos gente, não?

Aliás, São Paulo é o único Estado que divulga seus números de segurança mensalmente e abertos por delegacia. Ou seja, se você é um estagiário de jornalismo em um portal qualquer, terá pelo menos um tema garantido por mês! Sempre terá números novos pra você descer a lenha. (No Acre, por exemplo, as últimas estatísticas ainda são de 2009).

E, sobretudo, São Paulo prende. São Paulo tem cerca de 22% da população do Brasil e 41% da população carcerária nacional. Quiseram comparar a ação das UPPs do Rio com a ação da PM na favela Paraisópolis em São Paulo. Não tem NADA a ver. A UPP é tomada de território. É war, futebol americano, Combate da Estrela. Era uma terra do tráfico, que o Estado recuperou. O símbolo é hastear a bandeira da cidade e do país. Em São Paulo, não foi isso. A polícia entrou pra prender. E prendeu mais pessoas do que todas as UPPs somadas. Veja bem: não estou criticando a ação das UPPs no Rio, não. A ação é correta. Mas é um estágio anterior a prender. Lá, os bandidos foram simplesmente espalhados.



'Ah, mas São Paulo ainda não está bom'.
É verdade. Não está e tem muita coisa pra fazer. Mas isso não justifica mentir, não justifica bater nos dados. Pra efeito de comparação, Nova Iorque tem cerca de 7,5 mortes por 100 mil habitantes por ano e Chicago tem 15. Sim, senhores e senhoras, São Paulo é só um pouco mais violenta que Nova Iorque e mais segura que Chicago.

'Ah, mas a sensação não é essa'.
Esse é, de fato, um grande problema. Difícil arrumar, ainda mais quando não olhamos os números.
Vale também lembrar, jogando um pouco de polêmica ou conspiração no ar, que o percentual da 'indústria da insegurança' (seguranças particulares, redes elétricas, monitoramento remoto, blindagem) no PIB não é pequeno (li sobre um estudo do IPEA que estima em 5% do PIB, mas não encontrei o artigo original). Ou seja, há interesses econômicos nisso tudo também.

Dica para os críticos
Se quiserem bater no governo estadual (ou mesmo nos paulistas, a nova moda brasileira), sugiro não tentarem refutar os números. Um caminho pode ser dizer que o governo não tem responsabilidade nenhuma nessa melhora (dos últimos anos). Isso é mais crível. Sério. Os economistas do Freakonomics captaram correlação de décadas atrás para redução da violência atual (no caso de lá, a liberação do aborto). Malcoln Gladwell, em seu Outlier, diz que a violência parece ter algo como 'ciclos endógenos', ou seja, crescem e diminuem sem muitas razões claras, numa espécie de manada irracional. Se quer xingar, vá por esse lado. 'São Paulo melhoraria de qualquer jeito'. Melhor que bater nos números.

Finalizando
No mês passado, quando liguei para mandar um beijo pra minha avó, que mora no interior de Minas, ela ficou uns 5 minutos falando pr'eu tomar cuidado na rua, que a cidade era um caos e tudo mais. Coitada. É o que aparece na TV. Na cidade dela, nos últimos 12 meses, devem ter tido umas 2 mortes. São cerca de 2.500 habitantes, ou seja, uma taxa de 80 por 100 mil habitantes por ano. Pensei em fazer toda essa argumentação com ela pelo telefone. Mas não sei se seria uma boa. Fica aqui minha resposta: cuidado vó! A probabilidade da senhora morrer assassinada aí é 8 vezes maior do que eu aqui...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A Vida é um fractal da História


Há muitos anos, descobri o prazer da leitura. Mais tarde, com curiosidade, desejo de aprender e influenciado por um ou outro amigo, resolvi postergar o desejo de um mestrado, substituindo os cursos por leituras mais ‘sérias’, mais formais. A ideia era fazer meu próprio curso, aprender o que desse na telha. Ganhei amplitude, perdi profundidade. Nunca mais fiz uma matéria da qual eu não gostava. E fiquei preparado para ser um ‘tudólogo’: enrolar sobre quase todos os assuntos... hehe. E misturar assuntos diversos.
Essa introdução serve apenas para contextualizar uma associação que fiz pela leitura de alguns livros que, a princípio, não teriam nada a ver.

Começo com uma ideia do Nassim Taleb, de "Cisne Negro" e "Iludidos pelo Acaso", crítico do uso sem restrições da curva normal, com suas caudas estreitas. Taleb defende a tese de que alguns eventos de grande impacto são menos raros do que supostamente esperamos (os extremos da distribuição de probabilidades – as caudas – são na verdade mais gordos). Os exemplos disso na História são as guerras e revoluções que nos levaram ao mundo como é hoje. Fosse a História feita apenas pelos dias comuns, estaríamos em um estágio muito anterior. Ao ler esse trecho, imaginei 2 gráficos que se somam. Abaixo, o azul representa a evolução cotidiana, de grão em grão, lenta e segura. O vermelho, as revoluções e grandes mudanças, pontuais, ocasionais, um pouco caótico. A soma, em preto, resulta a evolução da História da humanidade. Passos pequenos somados a grandes saltos.





Retire 2 ou 3 grandes eventos ou grandes dias da História, e estaríamos em tempos MUITO diferentes. Analogia do tempo moderno: a Bolsa parece um ótimo investimento de longo prazo; retire (ou esteja fora dela) os 2 ou 3 dias com maiores valorizações e o rendimento total do período já não será bom.

Ok, e daí?
E daí que li também Nilton Bonder, o rabino cujo principal assunto são nossos confrontos internos, nossos dilemas conscientes e inconscientes. Com paródias judaicas (lembrando que sou bem católico...), ele passeia por filosofia e psicanálise. Gostei muito. ‘Alma imoral’ e ‘Segundas intenções’ são embates sobre a imoralidade da alma com a moralidade do corpo, o bom versus o correto, a evolução versus a preservação. (O jogo das capas dos livros é bem legal: aqui e aqui). Ao longo do texto, fui completando a tabela abaixo. E percebendo que nossas vidas são pequenas versões dos gráficos acima. A grande maioria dos dias é comum, mas nossa vida é fundamentalmente marcada pelos poucos momentos atípicos, por acaso, fora de controle. Uma mesmice com pequenos picos de grandes mudanças. Uma topada com certa pessoa, uma demissão, um acidente de carro, um convite, uma ruptura. Retire 2 ou 3 grandes momentos da vida e estaríamos em outro estágio.



Tanto a composição dos gráficos como a ideia de que pequenas estruturas formam estruturas maiores idênticas são baseadas nos fractais de Mandelbrot.
A vida é um fractal da história da humanidade.



Ao longo dos textos, fui pensando também sobre as implicações políticas ou, mais que isso, nas minhas discussões diárias (já que gosto de discutir...). Será que eu estava delirando, querendo encaixar o mundo ao meu pensamento (e não o contrário), fazer o convidado do tamanho da cama (e não o contrário)? No final de ‘Segundas intenções’, fui presenteado com uma seção voltada mesmo pra política – liberais versus conservadores – tal como eu vinha imaginando ao longo dos textos. Não viajei sozinho.
Não gosto da ideia de que essa separação política não faz mais sentido porque não me considero parte do mainstream esquerdista contemporâneo, não gosto desse ‘é-tudo-a-mesma-coisa’, já que não quero a ‘mesma coisa’ que está aí. Não acho legal tudo caminhar para o centrismo, para a peemedebização. E os livros me permitiram categorizar, rotular algumas dessas diferenças.

Em essência, a direita é o corpo, é a linha azul lá de cima. A esquerda é a alma, a linha vermelha lá em cima.
Em essência, o dia-a-dia tem que ser direitista, com cuidado, com regras, com preservação (Daí, acho que em geral os governos devem ser direitistas). Mas os grandes eventos, as grandes conquistas da humanidade foram realizadas por gente que pensou fora da caixa, esquerdistas, alma. Mas não dá pra ter uma situação esquerdista, é muito “vida-loka”. Direita como default, esquerda como conquista.
Do mesmo modo, em essência, nossa vida tem que ser com cuidado, com regras, com disciplina. Mas os grandes momentos da vida são imorais, são alma, um pouco caótico e sem controle.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A lógica da vida e um - por enquanto único - bom argumento pró cotas

Acabei de ler "A lógica da vida", de Tim Harford, indicação do amigo Balu.
O autor defende o processo decisório racional sobre todas as coisas, ou seja, diametralmente oposto a um outro economista que já citei por aqui, Dan Ariely, de quem sou fã.
Harford discorre sobre o aumento do sexo oral, a concentração de mesmas etnias em alguns bairros, os riscos de crimes violentos, as vantagens da cidade em relação a zonas rurais, sempre usando lógica ou incentivos racionais para embasar a decisão dos "atores" desses casos.
O livro é interessante.

Mas o que me motivou a escrever um post sobre o livro é o primeiro - e até agora único - bom argumento para cotas raciais em universidades.
Harford divide o racismo em duas categorias: o racismo de preferência e o racismo racional.
O primeiro se trata de uma opção sem muito embasamento: alguém pretere um negro simplesmente porque não gosta de negros. É uma estratégia burra pois acaba se perdendo o funcionário negro preparado para um concorrente não racista, ou seja, está condenada a desaparecer no longo prazo.
Já o racismo racional é o perigoso, pois é baseado em estatísticas e, portanto, tende a dar lucro e/ou ser sustentável. Um executivo que tem tempo para fazer apenas 5 entrevistas, por exemplo, tende a otimizar a "pré-escolha" desses 5 candidatos. Como - é fato - os negros estatisticamente ainda possuem uma educação de mais baixo nível do que brancos, é racional que o executivo já pré-escolha 5 brancos para as 5 únicas entrevistas para aquela 1 vaga.
Daí, a lógica de garantir cotas para negros: quebrar esse paradigma de que negros estatisticamente tiveram uma educação pior. A partir do momento que o tal executivo questionar a estatística ou, em outras palavras, começar a desconfiar que ela possa estar mudando, ele não terá porque pré-escolher 5 brancos para seu curto tempo.

Ainda tenho convicção de que os malefícios das cotas são muito maiores que os benefícios, mas quis deixar registrado um bom argumento contrário, além da minha disposição em rever ou questionar minhas certezas...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Por que dirigimos assim?

Acabei de ler um livro espetacular, por indicação do meu amigo Balu.
"Por que dirigimos assim?" (no original, "Traffic") de Tom Vanderbilt, fala sobre o nosso comportamento no trânsito. Psicologia misturada com fatores econômicos.

Passamos mais tempo no trânsito do que comendo, transando ou se lavando. É justo que se faça um bom estudo desse "momento". Passando por comparações com outros animais, viajando por diversas cidades no mundo, passeando pela história, o autor faz um belo trabalho.

Se a leitura fosse obrigatória para tirar a CNH, haveria menos trânsito e morte nas ruas. Com o risco de poder simplificar demais, coloco aqui alguns pontos principais ('meio tosco', porque em tópicos). Tomara que já seja suficiente para mudar o comportamento de meia dúzia de pessoas.
Obviamente não é o suficiente para substituir a leitura do livro inteiro.
Tentei separar em categorias, mas as coisas se misturam...


LOGÍSTICA E ESTATÍSTICAS

-Aproveite sempre uma faixa adicional até o último instante, de forma que todo o potencial da via seja usado. Em alguns países , trata-se de uma obrigação: só é permitido sair da faixa adicional ao seu final. Ex: em São Paulo, a 4ª faixa na JK antes do túnel indo para o Ibirapuera.
-‘O mais lento é o mais rápido’: em um experimento controlado, 1kg de arroz jogado bruscamente num funil levou 40s para passar; jogado de maneira mais lenta, o mesmo volume passou em 27s. Esse conceito aplicado ao trânsito se dá através da sinalização regulando o acesso às grandes vias. Em SP, haverá sinais controlando o acesso às Marginais.
-Rotatórias bem planejadas reduzem até 65% dos atrasos, quando comparadas a semáforos.
-Estima-se que para cada colisão, existem outras 9 ‘cagadas’ semelhantes que, por alguma sorte, não resultaram em colisão.
-O uso de viva-voz não reduz de forma relevante a quantidade de acidentes relacionados ao uso de celular enquanto se dirige. A justificativa é que a maioria das ocorrências se dá no momento da digitação, e não da fala/escuta.
-De 1983 a 2001, o número de viagens por família para fazer compras dobrou nos EUA. Hoje, mais pessoas dirigem aos sábados às 13h do que nos horários de rush durante a semana.
-Cerca de 80% do uso de faixas exclusivas para veículos com mais de 1 pessoa se dá para o transporte de “atendimento ao passageiro” (mãe, pai, motorista levando outro alguém); ou seja, não contempla a ideia original (carona) de evitar um veículo adicional na rua.
-Famílias maiores resultam em mais viagens e mais deslocamento. No entanto, os kms rodados pelos homens quase não variam em função do número de membros da família. Ou seja, a maior parte do adicional de deslocamento de uma família maior é feito por mulheres, que passam a não conseguir escolher muito o horário em que dirigem, pegando os horários de rush, quando é mais difícil dirigir. Daí, talvez, a origem da idéia de que mulheres dirigem pior.
-Comprado um carro, o custo marginal de cada viagem é baixo, isto é, não há incentivos para não dirigir mais uma vez. A conclusão óbvia é que o preço do carro deveria ser ainda mais alto. [Estranho porque o Brasil tem uma das maiores tributações do mundo nos veículos e o trânsito continua ruim. Outro ponto é que aumentar o preço do carro no Brasil poderia causar um grande problema social: como dizer para a nova classe consumidora recém chegada que eles vão continuar sem conseguir comprar o tão sonhado carro. E o desemprego nas montadoras se a demanda caísse?]
-Estudos comprovam que motoristas em vias desconhecidas são 25% menos eficientes. Se todos os motoristas soubessem de antemão o trajeto exato, haveria 2% menos deslocamento no mundo.
-O mapeamento de 100% do trânsito de uma cidade, com chips em todos os veículos e processamento de dados rápido o suficiente para indicar a situação online das vias, está, do ponto de vista tecnológico, muito próximo e viável. As discussões e dúvidas atuais ocorrem na maneira de tratar ou prever a (re-)adaptação dos motoristas a partir das novas informações.
-A velocidade média em rotatórias é a metade da velocidade de passagem em cruzamentos convencionais, aumentando a segurança dos pedestres ao redor.
-Em estradas, os motoristas não deveriam dirigir mais de 1 minuto sem alguma curvatura, mesmo que bem leve.
-Um estudo na Austrália mostrou que 50% dos custos médicos em acidentes de carro são de ferimentos na cabeça. A utilização de simples capacetes poderia reduzir as ocorrências em 25%.
-Nos EUA, as mortes no trânsito apenas aos sábados e domingos, das 24:00 às 03:00, são em maior número do que a soma de todos os demais horários. Ou seja, mais de 50% das mortes no trânsito acontecem em apenas 3,6% do tempo (6h em 168h possíveis na semana)

PSICOLOGIA, VIESES E CONSTATAÇÕES

-A seqüência de faixas horizontais pintadas no chão de estradas, perpendiculares ao sentido do tráfego, têm o objetivo de levar a percepção de velocidade para a percepção visual (o tempo para cruzar as faixas). Em curvas mais perigosas, a distância entre as faixas é menor, ‘iludindo’ o motorista que, acreditando que está mais rápido (afinal, o tempo entre as faixas diminuiu), inconscientemente reduz a velocidade. Ex: Dutra perto de Aparecida.
-Um estudo controlado mostrou que os veículos passam mais rápidos e mais perto de ciclistas com capacete (comparado com ciclistas sem capacete). Uma interpretação possível é o aumento da confiança mútua. Do ponto de vista do ciclista, o fato passa a ser um contra-senso: usar ou não usar o capacete?
-A impressão que a outra faixa sempre anda mais rápido: na média, a quantidade de ultrapassagens é a mesma; o que muda é o tempo: o tempo que gastamos para ultrapassar é menor do que o tempo em que somos ultrapassados, causando a falsa impressão de que fomos ultrapassados mais vezes do que ultrapassamos
-Paradoxo dinheiro-deslocamento: em tese, morar mais longe do trabalho é uma ‘não-opção’ (quem mora mais longe é porque não teve outra opção). Mas os dados mostram que, conforme a renda sobe, o deslocamento no trânsito casa-trabalho também aumenta.
-Harvard: nos incomodamos mais com a VARIAÇÃO no tempo de deslocamento do que com o tempo de trânsito em si.
-Pessoas recém divorciadas são mais propensas a colisões fatais (Bebida? Tristeza? Viagem? Buscando filho?).
-Pessoas que nunca se casaram são mais propensas a colisões não fatais. (Nova Zelândia)
-Em uma interessante experiência na Holanda, as autoridades colocaram 2 lanternas cravadas no chão e apontadas para o alto na entrada da cidade (ou seja, na transição estrada-cidade), sugerindo que a largura da via fosse menor do que de fato o era. O objetivo era criar uma espécie de ‘lombada virtual’ e os resultados mostraram que a medida foi muito mais eficiente do que uma sinalização convencional de velocidade máxima. Mesmo os motoristas acostumados com a passagem diminuíam mais a velocidade com receio da reação de eventuais novatos.
-Hipótese de compensação (ou homeostase de risco): estradas percebidas como extremamente seguras comumente geram sonolência e levam a mais acidentes. Nosso comportamento muda de acordo com o risco percebido.
-Quando você estiver muito seguro, fique vigilante: a maioria dos acidentes continua sendo em estradas secas, em dias ensolarados, com motoristas sóbrios.
-Estudo em Munique (ALE) descobriu que veículos com freios ABS andavam a velocidades maiores e também mais próximos do carro da frente do que veículos sem o sistema. Novamente, a sensação de segurança faz com que motoristas assumam mais riscos. O impacto do ABS na ocorrência de colisões fatais foi próximo a zero.
-O risco de acidente envolvendo veículos com passageiro é menor quando comparado a uma viagem solitária. Essa diferença aumenta quando o motorista é homem. (Responsabilidade? Proteção à mulher? Instinto de preservação do filho? Bronca da parceira?) Um grupo de exceção desse estudo é adolescente: com mais pessoas no carro, os motoristas adolescentes são mais ousados.
-Todo tipo de segregação entre os meios de transporte (por exemplo, uma mureta entre uma rua normal e uma ciclovia) faz com que os motoristas aumentem a velocidade. Quando a separação não é tão óbvia, como nas calçadas sem degraus (sem meio fio?) integradas com as vias da Suíça, onde a possibilidade de uma criança correr pra rua, por exemplo, é mais real, os veículos andam mais devagar. A mudança de comportamento ocorre até de forma gradual: mureta, cone, faixa pintada...
-Desde 1960, quando o Departamento de Estado do EUA começou a mapear o terrorismo, menos de 5.000 americanos morreram por ataques terroristas, ou seja, mais ou menos a mesma quantidade de americanos mortos por relâmpago. No entanto, 40.000 americanos morrem em acidentes veiculares todo ano. O número de mortes no trânsito dos EUA por mês é maior do que a quantidade de vítimas no 11 de setembro. Mesmo assim, os americanos estão dispostos a restringir liberdades civis para combater o terrorismo, mas não aceitam regras mais rígidas no trânsito. Na Inglaterra, o mesmo fenômeno: 10.000 pessoas se reuniram para protestar contra o bombardeio de 7 de julho de 2005. No entanto, a quantidade de vítimas no atentado equivale às mortes em 6 dias de trânsito no país.
-O número de mortes no trânsito dos EUA nos 3 meses seguintes ao atentado de 11 de setembro foi 9% maior do que nos mesmos meses dos anos anteriores. Como a quantidade de viagens aéreas diminuiu consideravelmente após o atentado, é de se supor que as pessoas trocaram o avião pelo carro e morreram por isso.

COLISÕES E SEGURANÇA

-50% de todas as colisões nos EUA acontecem em cruzamentos. Mais um argumento para o uso de rotatórias.
-Um estudo sobre a conversão de 24 cruzamentos convertidos em rotatórias nos EUA chegou às seguintes conclusões: colisões totais caíram 40%, colisões com lesões caíram 76% e as colisões fatais caíram 90%.
-Segundo um estudo da Universidade de Michigan, em 70% dos acidentes entre carros e caminhões, o motorista do carro é o responsável pela colisão (batendo por trás, mudando de pista, ultrapassando,...)
-Um dispositivo para estradas muito homogêneas é o sonorizador. Um estudo controlado mostrou que a introdução de sonorizadores na Pensilvânia reduziu os acidentes em 70%.
-Em Los Angeles, mais pedestres urbanos morrem atravessando legalmente a faixa de pedestres do que quando atravessam a rua sem observar as regras. Obviamente, o número de pedestres que segue a lei é maior mas, mesmo assim, o dado é constrangedor.
-Embora as mulheres se envolvam em mais colisões não fatais do que os homens, as colisões fatais envolvem cerca de duas vezes mais homens do que mulheres (‘normatizando’ por diversas métricas: milhões de milhas percorridas, milhões de trajetos percorridos, milhões de minutos dirigindo).
-A linha de pensamento ‘mainstream’ das autoridades e engenheiros de trânsito sempre foi a chamada ‘segurança passiva’: vias pensadas para diminuir os riscos e/ou consertar as conseqüências quando os erros ocorrem, já que esses são inevitáveis. Isso começa a ser questionado. A autoconfiança (e portanto os exageros) dos motoristas em vias bem tratadas mais do que compensa o planejamento para minimizar os riscos a partir do erro, gerando mais acidentes. Ex1: estudos controlados mostram que o índice de acidentes fatais não cresce com neblina/visibilidade limitada; Ex2: moradias mais distantes da via (e portanto com uma maior área de escape para os erros dos motoristas) fez com que eles aumentassem a velocidade e o índice de acidentes aumentasse; Ex3: a retirada de árvores cercando vias (já que motoristas podiam se colidir com elas) fez com que os pedestres ao redor ficassem menos protegidos, as velocidades aumentassem e fosse necessário colocar lombadas e implantar radares, criando um círculo auto-alimentável.
-As fatalidades no trânsito por km percorrido diminuem ano a ano na mesma velocidade, quando se compara o início do século XX com as últimas décadas. Ou seja, o risco que os motoristas assumem vai compensando as tecnologias de segurança.
-O risco de mortalidade no banco traseiro é 26% mais baixo do que no banco da frente. O banco traseiro é mais seguro que airbags.
-Na década de 80, especialistas previram que a 3ª lâmpada de freio poderia reduzir os acidentes em 50%. No início da implantação, a redução foi de 15% e hoje é de 4%. Ou seja, talvez suficiente para todo o custo de implantação, mas bem menor que a previsão inicial.
-Resumindo, ‘fatores humanos’ – e não mal-funcionamento do veículo, quebra ou clima – são responsáveis por 90% das colisões.

ESTACIONAMENTO

-Um estudo comparou estratégias de estacionamento: as pessoas que param na primeira vaga disponível, longe do ‘melhor lugar’ (que seria em frente à entrada do mercado, por exemplo), chegam mais rápido ao destino (no exemplo, o mercado em si) do que aquelas pessoas que foram procurar (e acabam esperando) vagas na fila mais perto do ‘melhor lugar’ (no exemplo, a entrada do mercado), mesmo tendo que andar menos a pé (para entrar no mercado).
-Em centros comerciais, de 20% a 45% (dependendo da cidade americana) do trânsito se deve à procura por vagas para estacionar. A sugestão de especialistas é que a Zona Azul fosse MUITO mais cara do que é hoje, com o preço variando de rua para rua, de tal forma que a cada 6 vagas, sempre houvesse 1 vaga livre para se parar com Zona Azul.

CULTURA E CURIOSIDADES

-Gastamos mais tempo no trânsito do que comendo, transando ou se lavando.
Existe restrição a determinado tipo de trânsito (carroças maiores) desde a Roma Antiga.
-Você sabia?: Os “guardas vermelhos”, durante a Revolução Cultural da China, propuseram inverter as cores das luzes nos sinais: vermelho significaria “Avance” e o verde seria para “Parar”.
-Você sabia?: Na Finlândia, algumas multas de trânsito são calculadas com base na renda após os impostos, com o objetivo de combater a natureza regressiva das multas (já que um valor fixo de multa é proporcionalmente menos relevante para uma pessoa rica, que teria menos incentivos para não cometer a infração). Um empresário do ramo da internet teve que pagar US$71.400 por dirigir a 69km/h numa via com velocidade máxima permitida de 40km/h.
-Segundo o presidente do Instituto de Educação de Trânsito de Nova Deli, cerca de 110 milhões de violações de trânsito são cometidas por dia na cidade.
-Estudos ingleses sugerem que o mau comportamento no volante é inversamente proporcional às instituições democráticas. Em estados autoritários, o trânsito é o único lugar em que o ‘pequeno homem’ é igual ao ‘grande homem’; só lá aquele consegue ultrapassar este.