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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Xinguem os números. Ou: cuidado, vó!


No debate pra eleição de governador em São Paulo em 2010, um dos candidatos (acho que o ex-neo-queridinho Russomano) perguntou pro candidato Alckmin sobre as propostas para combater a violência em São Paulo e terminou com algo como 'Mas não me venha com estatísticas, não...'.

Dei risada.
Talvez seja verdade que, em alguns casos, 'estatística seja a arte de fazer os números confessarem'.
Madre Teresa dizia que, se ela fosse olhar as desgraças de todo o mundo, não ajudaria o próximo, ao lado. E, se não ajudasse a pessoa ao lado, o mundo não melhoraria. Isso é válido para igrejas, psicólogos, assistentes sociais. Minha esposa trabalha na Brasilândia, um dos locais mais afetados nesses meses. O bicho pegou e eu ficava tenso. Mas era uma questão muito mais qualitativa do que quantitativa.

Com relação ao Estado, não há outro modo para tomar decisões e medir os resultados, se não pelas estatísticas.

A grande diferença da crise pela qual São Paulo passou é que foi justamente isso: uma crise. Aguda, não crônica. Pontual, não sistemática.
Não deve ser minimizada. A polícia tem que entender os motivos que levaram o PCC a se rebelar novamente. E evitar. Mas a imprensa não tem que ficar na base do achômetro. A entrevista que o Canal Livre da Band fez com um coronel da PM foi muito interessante. O link aqui. Os jornalistas faziam comentários de botequim e o coronel respondia com dados.

Mas vamos aos números.
A OMS estabeleceu uma métrica para definir o que pode ser considerada uma cidade 'violenta': menos de 10 mortes por 100 mil habitantes por ano, a cidade está ok; mais do que 10 por 100 mil habitantes, a cidade passa a ser 'endemicamente' violenta. Para essa métrica, eles consideram os 'crimes violentos letais intencionais (CVLI)': homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.

São Paulo teve 10,8 dessas mortes por 100 mil habitantes em 2011. Em 2012, deve subir para algo em torno de 11,5. E, com esse número é, simplesmente, o Estado mais seguro do Brasil.

Muita coisa do que pensei em escrever já estão aqui e aqui.
Um dado interessante é que, mesmo extrapolando esse pior cenário por todo ano, São Paulo ainda é o Estado mais seguro. É dado, não opinião.
Não adianta discutirem comigo ou com a Veja ou com quem quer que seja.
'Ah, mas eu conheço um vizinho do meu tio que foi assassinado'. Sim, são 11 assassinatos por 100 mil habitantes por ano. Não zero. Infelizmente.

Xinguem os números.
Aliás, publico a tabela abaixo, mas consultem vocês mesmos aqui. Página 28, tabela 10. Antes de questionar os dados, lembro que se tratam de publicações do próprio Ministério da Justiça.



'Ah, mas quem diz que os dados são confiáveis? Quem garante que nem toda morte na praia é considerada afogamento, como em Tropa de Elite?' 'Tu é legista, mermão??'.

Bom, compartilho a opinião - e, no fundo, é só isso mesmo, uma opinião, um chute - de que furtos não são mesmo denunciados pela população através de boletim de ocorrência. Mas morte? Sumiço de corpo? Hum... Sei não. E, SE houver, mais provável que seja em Estados menores, mais distantes, com menos gente, não?

Aliás, São Paulo é o único Estado que divulga seus números de segurança mensalmente e abertos por delegacia. Ou seja, se você é um estagiário de jornalismo em um portal qualquer, terá pelo menos um tema garantido por mês! Sempre terá números novos pra você descer a lenha. (No Acre, por exemplo, as últimas estatísticas ainda são de 2009).

E, sobretudo, São Paulo prende. São Paulo tem cerca de 22% da população do Brasil e 41% da população carcerária nacional. Quiseram comparar a ação das UPPs do Rio com a ação da PM na favela Paraisópolis em São Paulo. Não tem NADA a ver. A UPP é tomada de território. É war, futebol americano, Combate da Estrela. Era uma terra do tráfico, que o Estado recuperou. O símbolo é hastear a bandeira da cidade e do país. Em São Paulo, não foi isso. A polícia entrou pra prender. E prendeu mais pessoas do que todas as UPPs somadas. Veja bem: não estou criticando a ação das UPPs no Rio, não. A ação é correta. Mas é um estágio anterior a prender. Lá, os bandidos foram simplesmente espalhados.



'Ah, mas São Paulo ainda não está bom'.
É verdade. Não está e tem muita coisa pra fazer. Mas isso não justifica mentir, não justifica bater nos dados. Pra efeito de comparação, Nova Iorque tem cerca de 7,5 mortes por 100 mil habitantes por ano e Chicago tem 15. Sim, senhores e senhoras, São Paulo é só um pouco mais violenta que Nova Iorque e mais segura que Chicago.

'Ah, mas a sensação não é essa'.
Esse é, de fato, um grande problema. Difícil arrumar, ainda mais quando não olhamos os números.
Vale também lembrar, jogando um pouco de polêmica ou conspiração no ar, que o percentual da 'indústria da insegurança' (seguranças particulares, redes elétricas, monitoramento remoto, blindagem) no PIB não é pequeno (li sobre um estudo do IPEA que estima em 5% do PIB, mas não encontrei o artigo original). Ou seja, há interesses econômicos nisso tudo também.

Dica para os críticos
Se quiserem bater no governo estadual (ou mesmo nos paulistas, a nova moda brasileira), sugiro não tentarem refutar os números. Um caminho pode ser dizer que o governo não tem responsabilidade nenhuma nessa melhora (dos últimos anos). Isso é mais crível. Sério. Os economistas do Freakonomics captaram correlação de décadas atrás para redução da violência atual (no caso de lá, a liberação do aborto). Malcoln Gladwell, em seu Outlier, diz que a violência parece ter algo como 'ciclos endógenos', ou seja, crescem e diminuem sem muitas razões claras, numa espécie de manada irracional. Se quer xingar, vá por esse lado. 'São Paulo melhoraria de qualquer jeito'. Melhor que bater nos números.

Finalizando
No mês passado, quando liguei para mandar um beijo pra minha avó, que mora no interior de Minas, ela ficou uns 5 minutos falando pr'eu tomar cuidado na rua, que a cidade era um caos e tudo mais. Coitada. É o que aparece na TV. Na cidade dela, nos últimos 12 meses, devem ter tido umas 2 mortes. São cerca de 2.500 habitantes, ou seja, uma taxa de 80 por 100 mil habitantes por ano. Pensei em fazer toda essa argumentação com ela pelo telefone. Mas não sei se seria uma boa. Fica aqui minha resposta: cuidado vó! A probabilidade da senhora morrer assassinada aí é 8 vezes maior do que eu aqui...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Top 10 - Confrontos

Continuando a série de listas da (nossa) década, chegou a hora dos confrontos (a do Ronalt já está lá). A de filmes, já discuti aqui. O Ronalt e o PJ também fizeram suas listas de músicas, respectivamente, aqui e aqui. Agora, confrontos.
Sim, eu sei. O conceito é polêmico, ambíguo. Tudo bem! Cada um pode ter o seu critério: importância histórica, imprevisibilidade do resultado, tensão,... Não sei se eu consigo enunciar o meu critério; provavelmente seria só a racionalização dos 10 confrontos que vieram à minha mente... Priorizei futebol e tênis, por motivos óbvios. Coloquei um de volei e um de futebol americano. Lá vão:

1. SÃO PAULO 1 X 0 LIVERPOOL, 18/12/2005: São Paulo tri mundial, na melhor partida de um goleiro da história (depois daquela falta do Gerard, nenhuma outra bola pode ser considerada 'indefensável'), impedimentos milimetricamente bem marcados e Chuck 'Mineiro' Norris...

2. BRASIL 2 X 0 ALEMANHA, 30/06/2002: Brasil penta mundial, com o Gordo metendo 2 golaços, na recuperação física mais incrível que já pudemos presenciar. A narração do Silvério no segundo gol arrepia até hoje.

3. NADAL 3 X 2 FEDERER, WIMBLEDON, 07/07/2008: Num dia difícil da minha vida, o melhor jogador de tênis da história perdeu na grama para o espanhol pela primeira vez, em um jogo que durou o dia inteiro...

4. FEDERER 3 X 1 RODDICK, WIMBLEDON, 06/07/2009: O melhor do mundo ratifica seu domínio, conquistando o 15º Grand Slam.

5. BRASIL 2 X 3 RÚSSIA, 26/08/2004: a seleção feminina do Brasil ganhava o 4º quarto por 24 a 19 e permitiu a virada, sendo tachada de 'amarelona' até os Jogos Olímpicos seguintes.

6. FRANÇA 1 X 0 BRASIL, 01/07/2006: na casa dos Pascales, confirmávamos a patética atuação do Brasil e seus baladeiros. O Roberto Carlos será para sempre lembrado por aquela 'arrumada de meia'.

7. GRÊMIO 1 X 1 CORINTHIANS, 02/12/2007: a 2ª comemoração de título do ano. A queda do time da Marginal me causou tanta felicidade quanto o título do meu São Paulo, algumas rodadas antes.

8. VITÓRIA 4 X 3 PALMEIRAS, 17/11/2002: Ah, Palmeiras... O ex-time grande de São Paulo também conheceu a Segundona...

9. NÁUTICO 0 X 1 GRÊMIO, 26/11/2005: na Batalha dos Aflitos, o Grêmio, com vários a menos, se safou de um penalti e ainda fez um gol no contra-ataque, conseguindo a volta à primeira divisão.

10. NEW ENGLAND PATRIOTS 14 X 17 NEW YORK GIANTS, 02/03/2008: Foi o jogo que me levou a admirar futebol americano também. O Patriots, favorito, poderia ser campeão invicto; ainda mais com um touchdown a poucos minutos do final. Mas numa campanha rápida e uma recepção com auxílio do próprio capacete, o Giants conseguiu a virada no último lance.

Foi triste deixar de fora: Liverpool 3 x 3 Milan, Brasil 3 x 2 Sérvia (no tie break mais demorado da história), Fluminense 3 x 1 São Paulo,...
Sem contar Poli 5 x 3 Porcada (2000), Poli 1 x 0 Porcada (2001), Poli 3 x 2 FEA (2005), Poli 9 x 3 Mackenzie (2000), USP 0 x 0 Ulbra (2001), Poli 3 x 2 EEFEUSP (2000)... Mas aí, é só pro meu mundinho...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

E agora, José? Acabou...

Por definição, não rezo por futebol.
Também não costumo falar sobre futebol na minha terapia. Talvez devesse. Provavelmente meu humor no trabalho ou na vida pessoal esteja muito ligado aos resultados do futebol no final de semana... Que nada de autoconhecimento! É bola na rede e felicidade, bom humor e paz garantidos para próxima semana!! Como essa!

Enfim, acabou o Brasileirão.
Sou do time do PVC, dos que consideram o nosso Brasileirão um belo campeonato. Não gosto daquele saudosismo dos mais velhos. E acho que a comparação com a Europa é distorcida: talvez eles se saíssem melhor num quadrangular com os 2 melhores do brasileiro e os 2 melhores espanhois ou ingleses ou italianos. Mas o 3º, o 4º, o 5º,..., daqui são melhores que os deles... Mas isso é achismo - nunca teremos uma prova - ou, como diz o Balu, é só linguiça para ser enchida nos programas vespertinos de futebol.
A verdade é que gostei muito desse campeonato. Cheguei a considerar a hipótese do meu São Paulo brigar para não cair (tinha esquecido de que time grande não cai!); fiquei triste de verdade com a real possibilidade do Palmeiras campeão e a tolerância que deveria ter com meus amigos mais chatos; criei 15 piadas para o hepta do São Paulo (que terei que guardar para o ano que vem); e acabei não gostando de ter que aguentar meus parentes flamenguistas (eles realmente acreditam que Leo Moura e Bruno são jogadores de verdade... tsc tsc tsc)...
Não desmereço o Flamengo por ter sido o campeão com menor aproveitamento (59%, percentual normalmente considerado para briga por Libertadores), nem São Paulo, Inter, Atlético,... por perderem as chances de ser campeão. A verdade é que estava tudo mais nivelado.
Já tinha falado em outro post que achava improvável que o São Paulo fosse campeão esse ano. Não vou criar um blog só para apontar os erros de juízes (como tem de um palmeirense), como se houvesse uma conspiração universal. Em resumo, o que tinha dito é que a 'popularidade' do Brasileirão não ia muito bem das pernas fora de São Paulo, já que os 5 últimos títulos tinham ficado por aqui. Ou seja, era 'interessante' que São Paulo e Palmeiras não levassem. Flamengo campeão seria o melhor dos mundos. Livrar os 2 outros cariocas do rebaixamento, então, nem se fala... Não sou um gênio. PVC e Juca Kfouri também falaram a mesma coisa. E escrevi isso antes do procurador punir o Vagner Love por não ter 'tranças rubro-negras', antes da anulação ridícula do gol do Obina, antes de darem 2 jogos para um 2º amarelo do Jean, antes de darem 3 jogos para uma falta do Dagoberto pesada, mas idêntica a outras tantas que não deram mais de 2 jogos, de inventarem 'efeito suspensivo parcial' contra o São Paulo, de punirem o Dagoberto por dar risada, de tirarem o jogo do Flamengo contra o Corinthians do mando do Corinthians... Erro de juiz é uma coisa; de tribunal é outra...
É lógico também que, em um lugar mais decente, Corinthians e Grêmio seriam punidos. Dois dos principais jogadores do Corinthians 'se machucam' antes dos 20' do 1º tempo. O médico foi atender o Ronaldo e nem sabia onde espirrar o spray, já que ele não tinha colocado a mão em nada. O Felipe saiu da bola na hora do penalti. O Grêmio foi com 3 titulares, teve seu nome gritado no Maracanã e instruções claras de não chutar no gol. Não aceito o argumento de que o SP não fez a parte dele e, então, não pode reclamar: tivemos que jogar 38 jogos; o Flamengo teve que jogar 36 e ganhou 6 pontos de graça. É totalmente diferente. Num grupo de discussão com amigos, pensamos em soluções: direcionar clássicos locais para as últimas rodadas, parte das cotas de TV baseando-se na classificação do ano anterior (de tal modo que faça diferença ficar em 9º ou em 10º),..., mas não chegamos à nenhuma conclusão...
Mas os jogadores do Flamengo não têm culpa e merecem comemorar. O Flamengo foi um Cisne Negro, aquele evento altamente improvável que acontece de vez em quando. Sem estrutura, com troca de treinador, troca de presidente, com estrela que não treina e outra que veio para saldar dívida, salário atrasado... e campeões! Parabéns! Só não vamos achar que a várzea ganhará todo ano. Esse ano é exceção, não a regra.
Outra coisa que me chamou a atenção é a intenção da imprensa (e, para não ser tão genérico, senti isso mais na Sportv mesmo!) de colocar o 'hexa' na frente de toda vez que se fala 'campeão', forçando goela abaixo! Eu era muito criança em 1987 e, portanto, considero-me um tanto inapto a entrar na discussão com propriedade. Mas quero dar meus pitacos... Sendo pragmático, 1987 é do Sport de direito. Basta entrar no site da CBF. Lógico que houve um outro campeonato, provavelmente muito mais forte, em que o Flamengo se sagrou campeão, o que talvez o dê um título nacional de fato. Mas diferentemente de 2000, quando a mesma CBF fez um mesmo campeonato, só mudando o nome (Copa João Havelange) por razões bem específicas, 1987 teve, sim, um campeonato da própria CBF. Ou seja, talvez o título do Flamengo de 1987 possa ser comparado ao atual status da Copa do Brasil, isto é, de abrangência nacional, mas não 'o campeonato brasileiro'. Não vou me alongar. Essa é só minha verdade, dentre várias verdades possíveis... ;) O que me incomoda não é o eventual 6º título do Flamengo mas, sim, essa lavagem cerebral na tentativa de tirar a exclusividade do hexa são-paulino. Só quero lembrar que ainda precisam igualar 3 Libertadores e 3 Mundiais. haha. Essa foi só para provocar... ("Eu tento ser humilde. Meu time é que não deixa!").
Vou parar a choradeira por aqui. hehe. Até porque terminei o ano feliz. O espetáculo no Morumbi ontem foi SENSACIONAL. A torcida entendeu que não é possível ganhar todo ano. Quanto mais vezes consecutivas você ganha, mais próximo da derrota seguinte. Foi um pequeno sacrifício para termos mais anos de pontos corridos garantidos. E, pelo 7º ano consecutivo, estamos na Libertadores... Meu amigo Bola tem uma tese de que não ganhar o Brasileiro nos dará humildade para ganhar a Libertadores. Tomara.
E, se em 2006 a disputa foi com o Inter, em 2007 com o Santos, em 2008 com o Grêmio e em 2009 com o Flamengo, só existe uma certeza para o ano que vem: é o São Paulo e mais alguém disputando o título... Ah, e o Palmeiras... Vou respeitar o luto por enquanto...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Solidão

Segue um texto brilhante que 'chupinhei' da página de uma amiga.
Para quem mora sozinho, toca uma pequena empresa e acaba de terminar o namoro é confortante.
E não deixa de ser uma mensagem para pessoa(s) querida(s), em um momento especial.

Que me desculpem os desesperados, mas solidão é fundamental para viver.
Sem ela não me ouço, não ouso, não me fortaleço.
Sem ela me diluo, me disperso, me espelho nos outros, me esqueço.
Sem ela os silêncios são estéreis e as noites sôfregas, povoadas de assombramentos e desejos insaciáveis.
Sem ela não percebo as saídas, os milagres, os espinhos.
Não penso solto, não mato dragões, não acalanto a criança apavorada em mim, não aquieto meus pavores, meu medo de ser só.
Sem ela sairei por aí, com olhos inquietos, caçando afeto, aceitando migalhas, confundindo estar cercado por pessoas com ter amigos.
Sem ela me manterei aturdido, ocupado, agendado só para driblar o tempo e não ter que me fazer companhia.
Sem ela trairei meus desejos, rirei sem achar graça, endossarei idéias tolas só para não ter que me recolher e ouvir meus lamentos, meus sonhos adiados, meus dentes rangendo.
Sem ela, e não por causa dela, trocarei beijos tristes e acordarei vazio em leitos áridos.
Sem ela sairei de casa todos os dias e me afastarei de mim, me desconhecerei, me perderei.
Solidão é o lugar onde encontro a mim mesmo, de onde observo um jardim secreto e por onde acesso o templo em mim.
Medo? Sim. Até entender que o monstro mora lá fora e o herói mora aqui dentro.
Encarar a solidão é coisa do herói em nós, transformá-la em quietude é coisa do sábio que podemos ser.
Num mundo superlotado, onde tudo é efêmero, voraz e veloz a solidão pode ser oásis e não deserto.
Num mundo tão volúvel, desencantado e ansioso a solidão pode ser alimento e não fome.
Num mundo tão barulhento, egoísta, atribulado a solidão pode ser trégua e não luta.
Num mundo tão estressado, imediatista, insatisfeito a solidão pode ser resgate e não desacerto.
Num mundo tão leviano, vulgar, que julga pelas aparências e endeusa espertalhões, turbinados, boçais a solidão pode ser proteção e não contágio.
Num mundo obcecado por juventude, sucesso, consumo a solidão pode ser liberdade e não fracasso.
Tempo e solidão são hoje os bens mais preciosos, o verdadeiro luxo.
Marque encontros com você mesmo. Experimente. Dê-se um tempo. Surpreenda-se.
Solidão é exercício, visitação. É pausa, contemplação, observação. É inspiração, conhecimento. É pouso e também vôo.
É quando a gente inventa um tempo e um lugar para cuidar da alma, da memória, dos sonhos; quando a gente se retira da multidão e se faz companhia.
Quando a gente se livra da engrenagem e troca o medo de ser só pela coragem de estar só.
Não falo de isolamento, nem ruptura ou apartamento. Adoro gente, mas mesmo assim, e talvez até por isso, preciso de solidão.
Preciso estar em mim para estar com outros. Ninguém quer ser solitário, solto, desgarrado.
Desde que o homem é homem, ou ainda macaco, buscamos não ficar sozinhos.
Agrupamo-nos, protegemo-nos, evoluímos porque éramos um bando, uma comunidade.
Somos sociáveis, gregários. Queremos família, amigos, amores. Queremos laços, trocas, contato.
Queremos encontros, comunhão, companhia. Queremos abraços, toques, afeto. É a nossa vocação.
Mas, ainda assim, revendo o poeta, ouso dizer: é preciso aprender a estar só para se gostar e ser feliz.
O desafio é poder recolher-se para sair expandido.
É fazer luz na alma para conhecer os seus contornos, clarear o caminho e esquecer o medo da própria sombra.
Existem pensamentos, orações, sorrisos, encontros e realizações que só acontecem quando estamos a sós.
Existem curas, revelações, idéias, lembranças que só podem vir à tona quando estamos sós.
Mesmo os momentos compartilhados só serão inesquecíveis se uma parte nossa estiver inteiramente só para apreender tudo que apenas a nós se revelará e tocará.
Existe uma pessoa que só conhecemos se conseguimos ficar sós: nós mesmos!
Seja amigo da solidão. Aceite seus convites, passeie com ela, desmistifique-a.
Não corra dela, não tenha medo. Desassombre-se. Ouse a solidão e fique em ótima companhia.
(Hilda Lucas)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Nascido para jogar

Depois do destaque em saltos ornamentais, ginástica olímpica, frisbee, futsal (como goleiro),..., chegou a vez do futebol americano (com equipamento!!!) ter o privilégio de ter meu irmão como jogador. Assistam ao vídeo abaixo. Ele é o número 20 do azul. Sem comentários! Monstro!
(Aliás, uma iniciativa bem interessante: campeonato brasileiro de futebol americano.)

Highlights Torneio Touchdown - São Paulo Storm X Sorocaba Vipers from Leonardo Sardinha on Vimeo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Numa ilha deserta

Um homem se vê sozinho numa ilha deserta, apenas com uma musa famosa. Sem muita opção, eles começam a se relacionar... Semanas depois, para não ficar na mesmice, ela se oferece para realizar 'qualquer desejo dele, o que ele mais quisesse'... Ele não pensa muito e sugere:
"Vista minhas roupas e dê uma distância de alguns metros. Quando eu falar 'já', comece a caminhar em minha direção". Sem entender muito, ela aceita. Quando estão chegando perto um do outro, o rapaz diz:
"Porra, cara! Você não sabe quem eu tô comendo!"

A piada ilustra o desejo que os homens têm de se vangloriar. Não tem valor transar com a musa famosa, se não se pode contar para ninguém.

Quando eu deixei de trabalhar no banco para começar a trabalhar no estacionamento, obviamente fiz toda a relação de prós e contras. Na lista dos 'contras', estavam a instabilidade do negócio, a responsabilidade civil, a falta de evolução técnica,...
Mas não tinha listado (porque não sabia!) o que mais sinto falta: a conversa diária, as pequenas conquistas compartilhadas. Não que o 'reconhecimento pelo bom trabalho' fosse um ponto forte do banco (aliás, longe disso...). Mas se eu conquistasse alguma coisa, implementasse algum projeto, batesse alguma meta, tinha mais gente por perto com que eu podia discutir, detalhar, descrever, me vangloriar (mesmo que não significasse uma promoção, ou um aumento ou nem mesmo um 'parabéns' do diretor...).

Na atual empresa, não tenho pra quem contar vantagem. Pelo estacionamento, não tem quem se interesse. E isso não é doce. Eu também não me interessaria. Quem quer saber se a reunião com o proprietário ou com a administradora nos garantiu mais alguns anos de contrato, se o inquilino ficou satisfeito com algum novo produto, se melhoramos o processo de sinistros com investimentos em CFTV, se automatizamos o envio do movimento do pátio para o escritório a cada 15 minutos? O senso comum prega que estacionamento é commodity. Não merece ser assunto, é 'comum'. E eu não compartilho as pequenas conquistas diárias.
Não conto pra ninguém quem eu tô comendo...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

15x Federer: "um capítulo vivo da história"

Foi emocionante. O cara é incrível.
Como disse o PJ, o Roddick joga o melhor jogo da vida. Só que é contra o Federer e, portanto, perde.
Faço minhas as palavras do Ronalt em seu blog. Estamos vendo a história acontecer.
Um ano depois, na mesma quadra de sua (talvez) maior decepção, ele dá a volta por cima.
Sou fã do Roger Federer.
Pra finalizar, um vídeo da Nike, com o próprio Sampras homenageando o cara: