"A presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta, de forma eleganta para ser escolhida representanta. Poderia ter sido sargenta da polícia, gerenta de banco ou serventa de escola e nunca ficar doenta. Esperamos vê-la sempre sorridenta, brilhando nela a chama de governanta ardenta. Mas nossa maior dirigenta política, não tem o direito de violentar nosso pobre português, só para ficar contenta".
Os linguistas acatam o termo "presidenta" por um único - e, a princípio, bom - argumento: a língua é viva e deve incorporar os termos que surgem. Daí, a palavra "deletar" já estar presente (presenta?) nos Aurelios, embora com a etimologia bem distante da nossa língua portuguesa. Ou seja, embora o sufixo que designa um agente seja "ente", independentemente do gênero, "presidenta" passa a ser correto, se repetida à exaustão.
Na prática, "presidenta" ou "presidente" virou apenas uma questão política, um código para mostrar se você está na base de apoio ou de oposição ao governo. Fale "presidenta" e seja bem quisto no Planalto.
O problema dessas soluções disfarçadas de bom senso é que a linha para um oportunismo, ou mesmo um simples modismo, é muito tênue. Soma-se a isso o “politicamente correto”, que transforma a nação em uma massa amorfa de opinião, e estão criadas as condições para o desleixo total. Danem-se as regras. Gosto (e temo) muito de uma frase do ex-ministro do STF Eros Grau: “Há muitas moralidades. Se cada um pretender afirmar a sua, é bom sairmos por aí, cada qual com seu porrete.”
Escrevo tudo isso por causa do livro aprovado pelo MEC onde se lê “nós pega o peixe”, em tese, para combater o “preconceito lingüístico” (ãh???). O cidadão que defende “presidenta” teria o dever lógico de defender “nós pega o peixe”. Afinal, basta usar para que se torne correto. (E, sim, é muito usado!) E assim está evidenciado o problema que, do ponto de vista conceitual, já está lá no “presidenta”.
Havia uma moralidade no primeiro caso que não há no segundo?
O certo e o errado passam a ser subjetivos? Qual a régua? Qual o limite? Qual o gatilho do aceitável?
“Se aceito que uma regra seja relaxada para aliviar os bons (ou punir os maus), está criado o precedente que justificará seu relaxamento para aliviar também os ruins (ou punir também os bons).”
Meu ponto na comparação é: existe método na loucura.
Infelizmente acho que estamos andando a passos largos para a fase do cada-um-por-si-com-o-seu-porrete...
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