José Sarney, presidente do Senado, neoamigo do lulismo, quer outra consulta popular sobre o desarmamento, aproveitando a comoção popular pela tragédia na escola de Realengo. Não é só ele. Muita 'gente comum' usou as redes sociais para evidenciar seu descontentamento com o resultado daquela última consulta, sobre o tal desarmamento.
Na ocasião, votei a favor do desarmamento, ou seja, saí perdedor. Muita gente próxima, incluindo minha mãe e o amigo Balu - que aliás, faz uma ótima argumentação aqui - votaram contra. Se houver nova consulta, provavelmente (ainda) votarei a favor do desarmamento, contando com uma boa parcela de emoção. Mas não o farei de forma idealista...
Quero dizer: não será o desarmamento que acabará com o alto índice de assassinatos no Brasil. Voto a favor do desarmamento não por achar que o CV e o PCC vão entregar as armas, mas para evitar mortes acidentais como priminhos mexendo na gaveta do tio. Do ponto de vista estatístico, esse argumento pode ser pífio. Não sei se quantificam e categorizam esse tipo de acidente. Mas voto a favor do desarmamento (e não contra piscinas e facas, por exemplo, que o Balu mostra que matam mais que armas) simplesmente porque piscinas e facas tem fatores positivos que a arma (em posse de civil comum) não tem... Sei lá, uma espécie de saldo negativo (para armas) e saldo positivo (para piscinas e facas).
Mas o ponto principal desse texto nem é a defesa (ou não) do desarmamento. (Respeito muito a opinião de quem é contra).
Quero, sim, criticar o oportunismo na discussão da questão. Oportunismo que tira o foco do que realmente é relevante. O assassinato de 12 crianças, por um psicopata com arma clandestina, era simplesmente inevitável. É um cisne negro, um evento altamente improvável e praticamente impossível de se prever local e hora. Não é certo discutir o acesso nas escolas ou o desarmamento só por conta desse caso. Ou então teremos que repensar a utilização de carros, já que há pouco tempo, um outro maluco de Porto Alegre passou por cima de vários ciclistas com seu automóvel.
Óbvio que não podemos contemporizar e aliviar pro assassino. Nada de dar audiência pra filme do Fernando Meirelles, patrocinado com nosso dinh...ops, com dinheiro da Petrobrás, culpando a classe média por não ter dado oportunidade para o cara ou para assistente social de Realengo que não percebeu que o cara era maluco.
Meu ponto é que, enquanto você leu esse texto (supondo uns 10 minutos), uma pessoa foi assassinada no Brasil, totalizando os 50.000 assassinatos por ano. Esses, sim, previsíveis, sistemáticos e, portanto, evitáveis. Quando você está no prédio errado, nenhum andar serve. Quero dizer, enquanto não discutirmos os reais problemas, não vamos encontrar as soluções realmente necessárias. Enquanto passarmos a mão na cabeça da segurança do Rio - onde se assassinam 26 pessoas por 100mil habitantes - e discutirmos como evitar a loucura dos loucos, vamos buscar as respostas das perguntas erradas.
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Acredite em mim, tenho pavor de arma. Penso mais ou menos como droga, não dá pra proibir no Brasil e deixar as fronteiras como estão. No fundo no fundo, acho que NINGUÉM poderia ter o direito a posse de arma, mas a situação chegou a um pto que a lei não vai mudar NADA, se proibirem, vc comprará do mesmo jeito com outros países sendo mais liberais, mas mesmo que haja um plebiscito e o resultado seja outro, as mortes irão continuar e a impunidade, a gde vilã, será a mesma. É o tal do brasileiro adorar latir pra árvore errada.
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