sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Eu não era o paulista babaca?

[Vou tentar tomar cuidado com as palavras para não ser mal-interpretado]

Há 3 meses, eu era um paulista babaca, elitista, egoísta e que queria ver problemas onde só havia maravilhas.
Hoje, sou um irmão brasileiro, convocado (através de emails, redes sociais, pop-up nos bancos,...) a evidenciar meu patriotismo com ajuda financeira às vítimas das tragédias.

O momento é triste. MUITO TRISTE. Mas, nem por isso, devemos deixar de chamar as coisas pelos nomes: as mais de 500 mortes pela chuva são frutos de INCOMPETÊNCIA!
Uma especialista da ONU disse ontem ao Estadão: o Brasil não é um bangladesh, sem dinheiro para infra-estrutura nenhuma.

Como eu disse durante toda campanha eleitoral, vivemos um período de política de curto prazo: é CONSUMO em detrimento de INFRAESTRUTURA.
Obra por baixo da terra não dá voto; desalojar famílias em terreno perigoso tira voto. Disse ao final da campanha, diante do resultado das eleições, e repito: o povo brasileiro decidiu que os fins justificam os meios. Ou seja, aqueles que não morrerem com a chuva (os meios) terão bolsas, crédito fácil, financiamento a perder de vista (os fins)...

Em reação àquela filosofia babaca de dividir o Brasil (ricos x pobres, sulistas x nordestinos,...) do PT, eu tinha dito que minha melhor resposta talvez fosse de fato vestir a carapuça de ‘egoísta’ e pensar só no meu mundinho, parar de passar raiva com política. Menos de uma quinzena com a nova presidente e, pois bem, somos convocados a ‘ajudar nossos irmãos, pela unidade da nação’.
Não, não dou R$1,00. Fiquem com a sua política de curto prazo. Minha ajuda financeira vai para Igreja mensalmente, com ou sem acidentes, pensando menos em emergências e mais em construções...

Antes que me chamem de insensível, quero afirmar que também estou triste com os acontecimentos. Tenho amigos com família naquela região (até agora, nenhuma vítima fatal). E também já participei de um resgate de pessoas cujas casas estavam sendo invadidas pelas águas de uma chuva torrencial em um reveillon na cidade dos meus avós. Eu devia ter uns 16 anos e ajudei a carregar idosos e crianças, com água na altura da cintura. Meus tios chegaram a perder documentos, fotos, cobertores e móveis...
Sim, sei que tem chovido muito mais do que se previa. Mas o ano passado já choveu mais do que a média histórica e o que foi feito para evitar mais desastres de lá para cá?
E sei também que muita gente dessas áreas não é santa. Uma comunidade do Jardim Pantanal, a área mais crítica (para chuvas) de São Paulo, entrou com uma ação contra a prefeitura por quererem desalojar áreas em risco.

Como diz o Taleb, temos a mania de justificar nossos sucessos pela nossa competência – e não por sorte – e a justificar nossos insucessos pelo azar – e não pela incompetência. O lulismo levou esse conceito ao seu ápice.
Definitivamente, não sou eu o insensível. Como Queríamos Demonstrar.

1 comentários:

  1. É seu Danilo.O Brasil não é Bangladesh, nem parece a Nigéria.Mas sabe o que me dói?Sem educação não há salvação.(já vi essa frase em algum lugar...)
    Eu não posso assumir o papel do governo.
    Até porque o sustentava com meus impostos, não é mesmo?
    Como admitir pagar dobrado, assumir uma responsabilidade que não é minha?Eu gostaria sim, de infra estrutura,inclusive minha casa ai no Brasil não tem tratamento de esgoto.É fossa.Quando chove,alaga, é poluente.
    Não acredito ser insensibilidade.Insensibilidade é fazer vaquinha para não ter que tomar uma atitude quanto á um governo que já sabemos não cumprir ao que veio.Só isso justifica o contribuinte(perceba o título)ter que dar mais do que já dá.
    É Irresponsabilidade,que será dividida comigo se eu não exigir que o governo se coçe e trablhe para nós,cidadãos brasileiros, assim como trabalhamos para eles, pagando os impostos.
    A mim, além de insensível, chamam de louca, afinal, o Brasil é o lindo paraíso do futuro...

    ResponderExcluir